
A Reforma Tributária sobre o consumo, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, altera de forma estrutural a incidência de tributos indiretos no Brasil ao instituir a CBS (federal), o IBS (subnacional) e o Imposto Seletivo.
A transição será gradual: 2026 marca o ano-teste com alíquotas simbólicas e obrigações acessórias preparatórias; a CBS substitui PIS/Cofins a partir de 2027; a migração de ICMS/ISS para o IBS ocorrerá de 2029 a 2032, com consolidação do novo sistema em 2033.
Esse cronograma impacta diretamente operações de M&A, tais como modelagens, valuation, due diligence e integração pós-fechamento de aquisições.
Valuation e projeções de fluxo de caixa
A lógica de não cumulatividade ampla (crédito financeiro) e a harmonização de regras no IBS/CBS tendem a reduzir cumulatividade setorial, afetando margens por linha de negócio. Setores sujeitos a regimes específicos ou ao Imposto Seletivo podem ter efeitos assimétricos. Em deals que utilizam múltiplos de EBITDA, é essencial reestimar margens considerando o mix de operações e cadeias de suprimento sob o novo regime e durante a convivência de sistemas na transição.
Due diligence tributária com foco em créditos e compliance
A auditoria deve mapear:
Estrutura do negócio: asset deal x share deal
A migração para o IVA dual reabre a análise de estruturas de aquisição. O aproveitamento/transferência de créditos, o tratamento de bens do ativo e a coexistência de sistemas durante 2026–2032 podem tornar asset deals mais eficientes em determinados contextos (ou exigir gross-ups em share deals). Modelagens devem comparar: custo fiscal de migração, impactos em créditos acumulados, regimes específicos aplicáveis e fricções de TI/ERP.
SPA e alocação de riscos
Recomenda-se ajustar cláusulas de preço (locked-box/closing accounts) para:
Integração pós-fechamento e sistemas
A convivência de tributos atuais com IBS/CBS exige planos de corte por datas, parametrização de documentos fiscais e conciliação entre ambientes. Empresas devem antecipar ajustes de ERP, governança de dados fiscais e tax controls, inclusive para novos campos em documentos eletrônicos e validações de conformidade.
Cross-border e cadeia
Para alvos com importação/exportação, a harmonização e o crédito amplo exigem recalibrar landed cost e pricing B2B, além de reavaliar contratos com traders, distribuidores e prestadores de serviços, evitando perdas de crédito na cadeia e garantindo neutralidade econômica.
O que deve ser feito agora
Para mais informações, nossa equipe está à disposição: Flavia Ganzella, Ednaldo Almeida e Bruna Fradique G. S. Santos.